segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Jujubas, gel e “róque em rou”


O rock n roll sempre foi sinônimo de insatisfação, diversão, rebeldia. O rock, além de ser o segmento musical que tem mais envolvimento social do que qualquer outro, também sempre foi o grito de indignação de gerações e mais gerações de jovens. Se traçarmos uma linha do tempo, veremos grandes movimentos de contestação calcados no rock e em suas mais variadas vertentes. Desde Elvis Presley, passando pelos anos 1960 de Bob Dylan, o auge dos Rolling Stones nas décadas de 1970 e 1980, o punk rock que chocou o mundo até mais recentemente o grunge de Seattle.

Nem todos esses movimentos tinham preocupações sociais e políticas, mas todos incentivavam o jovem a de alguma forma escancarar sua indignação, questionar. Era uma maneira de desenvolver o senso crítico, e as grandes bandas de rock sempre transmitiram mensagens, não só por meio de sua música, mas também por meio de suas atitudes, seu vocabulário, suas visões de mundo ou simplesmente seu modo de se vestir.

Quem é da geração dos anos 1950, 1960 e 1970 tem muita história pra contar, são pessoas que foram contemporâneas de Rolling Stones, Beatles, The Clash, Led Zeppelin e de festivais como Woodstock. Quem viveu sua juventude durante os anos 1980 e 1990 viveu a época de Nirvana, de IRA!, Plebe Rude, Legião Urbana. E a geração de hoje? Que histórias vão contar para seus filhos? De quais bandas vão se lembrar, e dizer lá na frente “tal banda, tal música, mudou minha vida”.

Uma olhada na cena rock, não só a brasileira como também a mundial, nos mostra um cenário realmente diferente em se tratando de rock. Alguns conceitos mudaram bastante. Hoje em dia é raro ver bandas, principalmente as que estão começando, com proposta e letras de cunho político. O que vemos em grande quantidade são bandas com letras vazias, normalmente se lamentando pela garota que se foi, riffs e acordes pra lá de parecidos, integrantes com cabelos milimetricamente desarrumados. Não há preocupação social, não há mais polêmica, não há mais aquele impacto que muitas bandas de rock causaram nas décadas passadas.

Até o comportamento dos músicos e fãs mudaram. Os rockstars de hoje não causam polêmica, são os bons moços do rock, são os genros que todas as mães sonharam para suas filhas. Nada contra, isso pode ser uma “nova tendência”, porque não? Mas isso é rock n roll, como muitos gostam de dizer que é? O modo como as bandas e os fãs se vestem, inclusive, é para tentar passar a idéia de que “eu sou desleixado, eu ando de qualquer jeito, eu faço meu estilo”. Seria, se esses jovens não passassem três horas em frente ao espelho desgrenhando os cabelos e entupindo-o de gel para deixá-lo “desarrumado”, não escolhessem a dedo suas camisetas e bonés de grife. É uma espécie de comercialização de uma idéia. Os jovens se vestem assim por acreditarem que isso é causar impacto, é ser diferente, sem notarem que isso virou um padrão que os tornam todos iguais.


Tudo bem, até certo ponto é normal essa preocupação com a imagem. Nos anos 1970/1980 tivemos a expansão do chamado glam rock (ou glitter rock), onde as bandas se maquiavam e vestiam roupas extravagantes. Mas era algo para chocar, chamar a atenção e romper com certos padrões. Era até usado como um trunfo comercial em alguns casos, mas a intenção não era, de forma nenhuma, se vestir desse ou daquele jeito porque era a tendência ou a moda da época. É absolutamente normal também que quem tem uma banda queira se aproveitar disso para se aproximar do público feminino, essa é, inclusive, uma marca registrada de muitas estrelas do rock: o relacionamento, quase sempre conturbado, com belas mulheres. Mas se antes ser um rockstar era ser encrenqueiro, rude, não dar atenção nem ouvidos para ninguém, se vestir de maneira diferente, hoje em dia a tendência é ser bom moço, ter um rosto angelical e cantar versos melosos.


É interessante observar que bandas desse tipo são as que mais fazem sucesso hoje em dia, e, se isso acontece, é porque existe público pra esse tipo de som. Estaria a juventude, em pleno século 21, mais conservadora? Os anos 1960 foram marcados pelos grandes movimentos jovens, enquanto hoje em dia a maioria dos jovens se contenta com músicas e bandas geradas a partir de uma fórmula, feitas para vender, para parecer “cool”.

Grandes bandas de rock surgiram cantando o mundo que as rodeava, e todo o seu contexto na época. Criticando, debochando, analisando ou simplesmente relatando aquilo que acontecia. A indústria musical sempre trabalhou com tendências, o que é óbvio, já que se trata de um mercado. Mas hoje em dia, a impressão que dá é que essa característica se acentuou. O que as bandas tem a dizer fica em segundo plano, não importa o quão boa ela seja, se a sua proposta não for a “tendência do mercado no momento”. Em determinada época, a tendência é falar de amores que não deram certo, em outra é lançar bandas com os integrantes que parecem bonecos de ação dentro da caixa, em outra, bandas pseudo-rebeldes.

Não há mais a preocupação da maioria das bandas em fazer da sua música uma forma de protesto ou mesmo um meio para passar uma mensagem com conteúdo para seu público, algo que acrescente algo na vida dele ou que desperte seu interesse para outras coisas. Em parte, porque também não há interesse de grande parte da indústria fonográfica em promover bandas assim. São as tais das tendências, que pautam essas escolhas. E enquanto existir público para esse tipo de música, essa tendência prosseguirá. Essa é a grande frustração. Ver como a maioria dos jovens de hoje se entregam a esse tipo de música inócua, descartável, enlatada, sem nada a dizer.


A questão não é dizer que essas novas bandas e seus fãs estão errados ou certos. Existem milhares de segmentos, estilos e vertentes de todo tipo de música. A questão é dizer que essas bandas fazem rock n’ roll, que têm atitude, que fazem algo realmente bom, novo e impactante. Quem viveu as décadas citadas acima deve ter náuseas ao ouvir o “rock” que é feito hoje. Para a maioria dos jovens, as “grandes bandas” do momento são NX Zero, Jonas Brothers, My Chemical Romance, Cine e outras do mesmo tipo que lotam estádios e arenas. Resta saber se elas são apenas as bandas do momento, ou se vão ser definitivamente as bandas símbolos de uma geração.

Nota do blogueiro: Sim, o texto está num formato bem maior para um blog, mas eu o escrevi para uma revista digital há um tempo, e resolvi republica-lo neste espaço agora, com novos links. Se você chegou até aqui, parabéns pela coragem, e espero que tenha gostado da leitura.


domingo, 3 de janeiro de 2010

Desaprendendo a sonhar igual


O mundo está muito chato, ninguém quer mais arriscar, as pessoas têm medo daquilo que não conhecem, têm medo de dar a cara a tapa. A minha geração principalmente. Vejo gente que fez o colegial comigo estudando para passar em concursos públicos, pra garantir ótimos empregos mesmo que eles não lhe digam nada.

Tudo isso com o argumento que é preciso garantir logo seus respectivos futuros. Simplesmente esquecem de viver o presente buscando esse futuro. Mas o que há de bom nele? Casar, ter filhos, um carro bacana na garagem, status, uma família como nos comerciais de margarina, um bom emprego? E o que mais? Esse é o sonho médio, é o sonho que 98% da população tem. E o que mais? O que mais esses caras almejam para as suas vidas?

As vezes, o preço que se paga no presente é muito alto para garantir esse futuro que a sociedade julga ideal para seus jovens. Não importa se você não tem nada na cabeça, se você não tiver um pingo de caráter; se te derem um terno e te colocarem para bater carimbo o dia todo, você será visto como uma boa pessoa.

O cara que casou, teve filhos, um carro bacana na garagem, status, uma família como nos comerciais de margarina e um bom emprego, pode até se sentir feliz, mas dificilmente ele conheceu a entrega que é desafiar o mundo por um amor impossível, mover montanhas em nome de meia hora com uma pessoa, gastar o que não tem para viajar kilômetros ou para fazer uma surpresa. Ou a satisfação de levar um projeto pioneiro no qual ninguém acreditava pra frente, ou ainda uma viagem mal planejada com amigos, que acaba sendo inesquecível exatamente por ter sido mal planejada.

Lá na frente, como vão lembrar de você? Ou melhor, como você vai se ver ao se olhar no espelho? Vai sentir orgulho das coisas que fez? As coisas que você faz marcam a sua existência e, principalmente, deixam marcas naqueles que passam pelo seu caminho.

São essas pequenas loucuras que a gente faz , principalmente quando somos novos, que nos fazem sentir vivos. A coragem de ir buscar algo quando ninguém acreditava que fosse possível, de fazer algo dar certo quando o mundo todo dizia que não daria.

É inegável que a gente muda conforme os anos passam, a vida como um todo muda. Quando você acordar amanhã, já não será um dia igual ao de ontem. Mas o importante é manter suas raízes e seus sonhos, sem deixar que os outros sonhem por você. Quando você envelhecer, vai ter histórias o bastante que te orgulhem para contar para os mais novos? Ou vai ser o cara que chegou aos 30, numa ótima condição, mas morto por dentro?



sábado, 2 de janeiro de 2010

Despedida em Las Vegas - Leaving Las Vegas

Insônia e tv a cabo é uma combinação que as vezes rende bons momentos inesperados. Numa dessas madrugadas insones, zapeando os canais no controle remoto, me deparei com o filme Despedida em Las Vegas, com Nicolas Cage e Elizabeth Shue.

Dirigido por Mike Figgis, o filme se utiliza da matéria bruta mais antiga do cinema: o amor e suas idas e vindas. Sim, Despedida em Las Vegas pode ser visto como um romance, mas não tem absolutamente nada a ver com as comédias românticas clichês que saem a rodo todo mês. Esqueça os casais perfeitos e os amores impossíveis dos contos de fadas.

Despedida em Las Vegas retrata o lado, digamos, menos glamouroso, menos nobre do amor. Mas conta uma história de companheirismo e aceitação incondicional entre duas pessoas que aparentemente estão no fundo do poço e não tem condições ou vontade de sair de lá. Sem fantasias, de uma maneira bem real e até cruel na maior parte do filme.

Vamos a história: o roteirista Ben Sanderson (Nicolas Cage, no papel que lhe rendeu o Oscar de melhor ator) é um alcoolotra que entra num processo irreversível de autodestruição e ve sua vida ruir; ele perde o emprego, a vontade de viver e resolve se mudar para Las Vegas com o intuito de beber até morrer. Lá ele conhece a prostituta Sera (Elizabeth Shue), que sofre com a violência de seu cafetão.

Ben e Sera acabam indo morar juntos, mas aceitando a condição um do outro. Ela aceita que ele é um alcootra numa situação irreversível, e ele aceita o modo dela de ganhar a vida. Num dos muitos diálogos marcantes do filme, ao ser convidado por Sera para morar com ela, Ben disse que tudo bem, desde que ela o aceite como ele é, ou seja, um sujeito num processo de destruição sem volta. Ela aceita.

O filme narra uma história de amor às avessas, sem nenhum glamour, que tinha tudo para dar errado; a prostituta e o alcoolotra, se entendem, se aceitam, e ajudam um ao outro. Ben passa todo o filme se embriagando, não dando o menor sinal de redenção, apesar dos esforços de Sera.

É um filme que vale muito a pena, uma ótima reflexão. Esqueça o mundo perfeito e os casais dos outdors, dos filmecos românticos e das capas de revista. O amor de Ben e Sera não tem nada de glamour, mas nem por isso é menos belo ou intenso que os demais.

Despedida em Las Vegas (Leaving Las Vegas, EUA, 1995)
Direção: Mike Figgis
Elenco: Nicolas Cage, Elisabeth Shue, Julian Sands, Richard Lewis
Duração: 111 minutos
Estúdio: Initial Productions / Lumière Pictures
Roteiro: Mike Figgis, baseado em livro de John O'Brien


sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Vivendo por dias melhores

"Fim de ano já acabou, vamos viver..." A música do Fistt (Continuar, do cd Como fazer Inimigos) ilustra perfeitamente o que é o final do ano para a maioria das pessoas. A gente para, faz um balanço do ano que está terminando, traça planos e metas, faz promessas. Se vamos realizar ou não, já é outra história. Mas o fato é que as duas semanas do ano são destinadas a isso, refletir, pensar, tentar melhorar.

Hoje, primeiro dia de 2010, essa fase já passou; natal já foi, 2009 já ficou no passado, a ressaca já foi embora, as cervejas acabaram, parentes voltaram para as suas casas. Nos resta então a realidade que nos cerca durante todo o ano, aquela que a gente deixa de lado na época das festas. Hora de encara-la de novo, colocar os planos em prática, batalhar pra melhorar aquilo que não está nos deixando contente.

Que venha 2010, hora de deixar coisas ruins pra trás, tirar lições das frustrações; é hora de viver por dias melhores.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Pouca vergonha no Senado


Todos devem estar acompanhando a crise no senado. Reparem que quanto mais se investiga, mais sujeira aparece. Começou com os atos secretos, depois descobriu-se contas secretas, depois bens de R$ 4 milhões não declarados. Em meio a tudo isso, o presidente do senado, José Sarney (PMDB - AL), insiste em dar desculpas esparrafadas, explicações frágeis. Um garoto de quatro anos que aprontou na escola é capaz de inventar desculpas melhores.

O que mais está por vir? Ninguém sabe, mas tenha certeza que se ir mais fundo com qualquer investigação, mais coisa podre vai aparecer. E o governo está fazendo o que a respeito disso? Nada, como sempre. É conversinha pra cá, é declaração pra lá é promessa acolá. Enquanto o presidente faz média com a conquista do título da Copa do Brasil pelo time do coração dele eu e você estamos pagando o salário dos mordomos dos senadores e seus parentes.

Mas sabe o que é mais absurdo? Que as providências a serem tomadas estão na dependência de jogos políticos! Em primeiro lugar vêm as alianças políticas. Então, pra eliminar o câncer do senado, é necessário primeiro negociar com outros partidos, consultar os aliados, ver se ninguém vai perder uma aliança para as próximas eleições. As alianças políticas ditam que providências vão ser tomadas! Não importa quantos bens o presidente do senado ocultou, quantos atos secretos foram feitos. O que importa são as consequências que uma possível atitude (mesmo que necessária, como é o caso), vai causar. Então se fazer a coisa certa for custar uma aliança política, é simples: não faça nada! Deixe tudo como está!

O que estamos assistindo é uma total falta de respeito. Em primeiro lugar, não vamos fazer nada que prejudique nossas alianças, e depois veremos que contas vamos prestar ao povo. Tudo errado. O PT é refém do PMDB, partido de Sarney, que já disse que se o mesmo for pressionado a deixar cargo, não mais apoiará o PT. E o PT precisa do PMDB para eleger Dilma Roussef em 2010. Dilma que por sua vez já deu declarações a favor de Sarney, temendo perder o apoio. Dá pra acreditar nisso? Está tudo provado, e ninguém quer fazer a coisa certa simplesmente porque não quer ver seu poder diminuido.

Pelo menos uma vez na vida o governo deveria tomar uma decisão sem levar em conta as alianças políticas. Mas, infelizmente, é como me disse o Noblat no twitter hoje mais cedo: Esqueça. Isso jamais acontecerá.

E viva a política brasileira.Justificar

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Uma banda que cresceu


Quem se lembra do Green Day dos anos 90?

O som com letras irreverentes e sarcásticas deu lugar a uma postura engajada e letras críticas. Foi uma mudança corajosa da banda, já que muitos fãs poderiam ficar incomodados com a nova postura que os caras resolveram seguir. Mas afinal, isso quer dizer que a banda ficou pior?

Não, quer dizer apenas que seus integrantes amadureceram, e consequentemente a postura e ideais da banda também. O "cresceu" ali do título não é em termos de qualidade, já que os caras, mesmo com a mudança, mantiveram o alto nível de suas canções, mas sim em termos de amadurecimento mesmo. O Green Day não mudou a sua sonoridade, mudou apenas a sua proposta, deu mais ênfase a sua vêia crítica.

Essa mudança veio com o cd American Idiot, de 2004, um álbum conceitual que bate forte no governo Bush. As letras descontraídas de Dookie, album que alçou a carreira dos caras definitivamente ao sucesso, deram lugar a críticas pesadas ao american way of life.

No novo trabalho, 21st Century Breakdown, a banda continua com o tom crítico do cd anterior. Alguns fãs mais antigos torcem o nariz para o som que o GD faz hoje. Quem nunca encontrou aquele cara que diz: "eu gosto do som deles das antigas". Mas o fato é que esse amadurecimento pode ser muito bom para uma banda depois de muito tempo de estrada.

É estranho (e em alguns casos constrangedor) quando você vê bandas que já não têm aquele apelo jovem se comportando como tal. Também são poucas as bandas que tem um público fiel o bastante para passar vinte, trinta anos tocando o mesmo set list e lançando discos com a mesma fórmula há décadas. Apenas bandas como o Kiss ou o AC/DC conseguem fazer isso sem desagradar seu público porque a maioria dele é formado por pessoas de outras gerações. A geração de hoje é a geração MTV, a geração que tem acesso muito fácil à informação e acaba não retendo nada, pois sempre acha uma ou outra novidade num simples click.

Se é verdade que hoje as bandas têm que procurar meios para não soarem repetitivas e cairem no esquecimento, também é verdade que são raras as que conseguem se reiventar sem perder seu público e sem diminuir a qualidade de sua música.

O Green Day não mudou por exigências do mercado, mas sim por pura opção, o que é mais louvável ainda. Resolveram usar sua música para expressar sua indignação, e fez isso mantendo a alta qualidade de seu trabalho. Ponto para Billie Joe e sua turma.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

O homem por trás de 300 e Watchmen


Há uma nova geração de diretores mostrando as caras em Hollywood. Gente como o mexicano Alejandro González Inárritu (Amores Brutos, Babel) tem trazido novas idéias para a meca do cinema. Quem tem se destacado também é o norte-americano Zack Snyder, que começou sua carreira como diretor de video-clipes e peças publicitárias. Em 2004, Snyder resolveu migrar para o cinema, começando uma carreira que está em franco crescimento.

Seu primeiro trabalho foi de grande responsabilidade; refilmar o clássico do cinema B americano Despertar dos Mortos, do mestre do gênero George A. Romero. Responsabilidade sim, pois as tentativas anteriores de Hollywood de refilmar Romero haviam se revelado um fracasso (excessão feita à Extermínio, outra produção recente sobre mortos-vivos). A versão de Zack Snyder, chamada Madrugada dos Mortos, foi um sucesso de público e crítica. Snyder soube dar ao filme uma narrativa ágil, aliada a um visual bastante moderno e boas sacadas.

Mas foi em seu segundo trabalho que o diretor ganhou destaque de vez. Ele assina a direção da adaptação para o cinema da clássica graphic novel de Frank Miller, 300 - Os 300 de Esparta. O filme trouxe uma grande inovação visual, cada enquedramento parece tirado diretamente das páginas da obra original. O enredo também foi seguido à risca, o que agradou os fãs mais antigos. A presença de Frank Miller na produção do filme também ajudou para que o resultado fosse o mais fiel possível à obra original. O sucesso do filme foi tão grande, que já se fala na imprensa em uma continuação para a saga.

Com a boa reputação que conquistou com esses dois filmes e com seu trabalho em alta, Zack Snyder aceitou um grande desafio. Adaptar para os cinemas outro clássico do mundo dos quadrinhos: Watchmen, de Alan Moore. Era um grande desafio pois o universo de Watchmen é totalmente denso, e, segundo a maioria dos fãs, impossível de ser adaptado em outra mídia como o cinema (opinião esta do próprio Alan Moore, famoso por ser radicalmente contra adaptações de obras dos quadrinhos para o cinema).

A Nova Vitrola ainda não assistiu Watchmen, mas a julgar pelas críticas que o filme recbeu desde o lançamento, Zack Snyder parece que acertou a mão novamente. Apesar de ter dividido a crítica e o público, o filme mantém, dentro do possível, a atmosfera sombria dos quadrinhos. O próprio Alan Moore, histórico turrão, disse que, apesar de reprovar o filme, o roteiro (que ele chegou a ler, por insistência de Snyder), era o mais próximo que se podia chegar da obra original.

Recentemente, Zack Snyder comentou para o site Omelete seus próximos trabalhos: fique de olho nesse nome.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

A síndrome das autoridades brasileiras


As autoridades brasileiras sofrem de uma síndrome. É a síndrome de querer mostrar para os outros países que o Brasil "é capaz"; capaz disso, capaz daquilo, capaz de fazer aquilo outro.

As vésperas do pan-americano de 2007, que aconteceu no Rio de Janeiro, os organizadores não se cansavam de dizer "nós vamos mostrar ao mundo que o Brasil é capaz de organizar um evento desse porte." Agora, conforme a Copa de 2014 se aproxima, essa síndrome ataca de novo. É só ligar a tv ou abrir um jornal e pronto, lá estão as declarações: "O Brasil vai mostrar que pode reformar seus estádios no prazo", "vai mostrar que o povo brasileiro pode organizar uma Copa".

Ora, o Brasil não tem que provar nada aos comissários da FIFA, à imprensa internacional ou a quem quer seja. O Brasil tem que provar algo ao seu povo. Tem que mostrar a ele que pode ser um país em crescimento, que tem condições de melhorar a vida de quem vive por aqui. Mas não, no momento todos os esforços (e dinheiro) estão voltados para a Copa de 2014 e à imagem do Brasil perante os olhos estrangeiros.

Mesmo que a copa gere alguns empregos, atraia gente para o país, movimente de certa forma a economia, é notório que o Brasil tem situações mais urgentes a resolver. Todo o dinheiro (público ou não) que será despejado para organizar uma Copa do Mundo poderia ser melhor empregado em outras áreas mais urgentes.

O próprio futebol brasileiro está falido. Os clubes nacionais sobrevivem da venda de jogadores para o exterior, poucos não atrasam salários e têm estádios com mínimas condições de receber um jogo qualquer. Torcidas organizadas vivem se pegando, tanto dentro quanto fora dos estádios, gente morre a cada grande clássico por ai, arquibancadas de estádios desabam. Os cartolas e autoridades do nosso futebol não conseguem resolver esses problemas, ficam impotentes diante deles. Antes de organizar uma Copa do Mundo por aqui, é necessário primeiro estruturar o futebol nacional.

Isso sem mencionar os outros milhares de problemas que todos os brasileiros vivem todos os dias. Antes de se preocupar em "mostrar para o mundo que o Brasil é capaz de organizar uma Copa do Mundo", ou qualquer outro evento que seja, as autoridades e governantes brasileiros deveriam mostrar para o seu povo que são capazes de cuidar do próprio país primeiro.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Diploma pra quê?


Desde que entrei na faculdade para cursar jornalismo já ouvi milhares de teorias sobre a obrigatoriedade ou não de ter diploma para exercer essa profissão. Na última semana, o Excelentíssimo Senhor Doutor Gilmar Mendes e o STF decidiram que não, não é preciso de diploma para ser jornalista.

Segundo o Exmo. Sr. Dr. Gilmar Mendes, "notícias inverídicas são grave desvio da conduta e problemas éticos que não encontram solução na formação em curso superior do profissional." Com toda a certeza, é difícil um profissional fazer bom jornalismo sem ter um bom caráter/índole. Afinal, lidar com informação é uma grande responsabilidade. Mas isso só acontece com o jornalismo? Então um magistrado envolvido em escândalos também não precisaria de diploma, já que também não conseguiria resolver suas questões de caráter na faculdade. Ou essa regra só vale para os profissionais do jornalismo?

Argumentos rasos é o que mais se ouve nesta questão desde que a decisão saiu. É inegável que existem bons profissionais já no mercado que não possuem diploma, eu mesmo leio alguns articulistas que não são jornalistas formados, e eles não deixam de ser bons por isso, da mesma forma que existe muito jornalista medíocre formado, com o diploma na mão.

A questão é que quem está no mercado, para o bem ou para o mal, já tem certa experiência. Mas e os que estão ingressando agora? Que suporte vão ter? É no curso superior que o profissional vai se aperfeiçoar, ganhar mais bagagem, conhecimento; não só nas aulas, mas também no convívio com outras pessoas, na troca de idéias. Ainda que muita gente entre numa faculdade apenas visando o diploma e nada mais, no meio do caminho algumas podem passar a se interessar mais. A faculdade funciona como um filtro, se uma pessoa não tem compromisso com a importância da profissão, ela não vai encarar quatro, cinco anos de estudo.

Da mesma forma que ter um diploma não muda o caráter de ninguém, saber o português correto e escrever bem não basta para ser jornalista, e isso só quem está no meio sabe como é. Ser crítico, curioso, ter uma boa intuição e criatividade são algumas das caracerísticas imprescindíveis para um jornalista. Como diria um professor meu, se você está numa faculdade de jornalismo só porque escreve bem, está no lugar errado.

Com essa decisão do STF, o nível da imprensa brasileira, que em muitos casos já é baixo, vai cair ainda mais. Principalmente se qualquer pessoa que sabe onde vai uma vírgula resolver lidar com informação para as massas. Se não muda caráter, curso superior, seja ele qual for, ao menos desperta a vontade de aprender mais e mais nas pessoas, principalmente nos mais jovens.

Já temos muitos profissionais que falam o que querem nos meios de comunicação; sensacionalistas, piegas, irresponsáveis que tratam informação como um produto para ter lucro, sem se importar com as consequências. Não exigir que as pessoas se preparem para exercer a profissão de jornalista é encorajar que mais pessoas desse tipo contaminem a imprensa. É encorajar que cada vez mais as pessoas com desvios de caráter e despreparadas formem opinião todos os dias.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Novos textos no A Voz do Mato

Está no ar no A Voz do Mato dois novos textos; uma resenha sobre o filme Não estou lá, cinebiografia pouco convencional da vida e carreira de Bob Dylan dirigida por Todd Haynes, e um maravilhoso artigo do professor Orivaldo Leme Biaggi sobre os clássicos álbuns da história do rock que surgiram nos anos 60.

Valeu a pena conferir!

Leia lá e comente aqui, se tiver alguma sugestão ou crítica é só mandar um e-mail para tcapodeferro@avozdomato.com.br

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